Trabalho e sustentabilidade na logística de última milha:
a experiência de mulheres entregadoras por bicicleta
DOI:
https://doi.org/10.21710/rch.v40i2.830Palavras-chave:
logística de última milha , entregadoras ciclistas , gênero, trabalho em plataformas , sustentabilidadeResumo
A expansão do comércio eletrônico e das plataformas digitais transformou a organização das entregas urbanas e ampliou a relevância da última milha nas cadeias de distribuição. Nesse cenário, a bicicleta emerge como modal de mobilidade ativa capaz de reduzir o uso de veículos motorizados em deslocamentos curtos, mas também se configura como instrumento de trabalho sujeito a custos, riscos e exigências físicas. Este artigo analisa as experiências de mulheres entregadoras que utilizam bicicleta em operações de última milha mediadas por plataformas digitais, com foco nos desafios de gênero, nas condições laborais e nas dimensões ambiental e social da sustentabilidade. A pesquisa, de caráter qualitativo, baseou-se em entrevistas semiestruturadas com dez entregadoras atuantes na região metropolitana de São Paulo, realizadas entre março e abril de 2026. O roteiro contemplou trajetória profissional, organização da jornada, remuneração, gestão algorítmica, gênero, segurança urbana, esforço físico, responsabilidades familiares, redes de apoio e perspectivas de futuro. Os resultados evidenciam insegurança urbana, assédio, limitações de infraestrutura cicloviária, custos de manutenção, desgaste físico, instabilidade de renda, dependência das plataformas e dificuldades de conciliação entre trabalho remunerado e responsabilidades domésticas. A análise demonstra que a sustentabilidade ambiental associada ao uso da bicicleta não garante, por si só, sustentabilidade social do trabalho. Argumenta-se que a avaliação da logística de última milha deve considerar simultaneamente desempenho ambiental, mobilidade, segurança, condições laborais e relações de gênero. O estudo contribui para aproximar debates sobre logística urbana sustentável, economia de plataformas e divisão sexual do trabalho, indicando implicações para políticas públicas e práticas de gestão.
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